Biografias

John Newton

Escravo, traficante de escravos e abolicionista — a vida por trás de «Amazing Grace».

John Newton (1725–1807) nasceu em Londres, perdeu a mãe aos seis anos e começou a trabalhar no mar ainda jovem. Em 1745 trabalhou no primeiro navio negreiro. Devido à sua indisciplina foi, na África Ocidental, entregue a um comerciante local de escravos como castigo. Durante dois anos, foi escravizado e submetido a maus-tratos.

Em 1748 foi resgatado por um navio britânico enviado pelo seu pai. Na viagem, durante uma violenta tempestade, Newton clamou a Deus por misericórdia e a tempestade extinguiu-se, marcando o início da sua jornada espiritual.

Dois anos depois, assumiu o comando do navio Duke of Argyle, tornando-se comerciante de escravos da África para as Américas.

Quatro anos depois, após uma grave crise de saúde, Newton decidiu deixar o comércio de escravos. Trabalhou como oficial alfandegário. Aprofundou a sua fé cristã e em 1764 tornou-se pastor anglicano. Em 1772 escreveu «Amazing Grace».

Passados 34 anos de se ter retirado do tráfico de escravos, Newton quebrou o silêncio e em 1788 publicou o panfleto «Thoughts Upon the African Slave Trade», no qual denunciava o tráfico de escravos e confessava o seu arrependimento.

«Eu não posso olhar para trás sem tremor… A minha culpa pareceu começar antes que eu soubesse o que estava fazendo.»

Nos anos finais da sua vida tornou-se um abolicionista fervoroso. Aliou esforços com William Wilberforce, líder do movimento pela abolição da escravatura no Império Britânico.

Newton viveu para ver o seu objectivo cumprido. No dia 1 de Maio de 1807, o Parlamento Britânico aboliu o comércio de escravos. Newton morreu a 21 de Dezembro do mesmo ano. «Amazing Grace» tornou-se um dos hinos mais icónicos do mundo, ecoando a jornada de Newton: o poder transformador da graça divina que resgatou «um pecador perdido».

«Não sou o que devo ser, não sou o que quero ser, não sou o que espero ser noutro mundo; mas, ainda assim, não sou o que costumava ser. Pela graça de Deus, sou o que sou.»